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                  Dizem que os agricultores e os jardineiros são pessoas muito
abençoadas, porque o seu trabalho é continuo por exigência das plantas e das flores.

                O trabalho do advogado termina com o encerramento de sua causa e o do engenheiro com o término de sua obra. O do jardineiro não; ele é constante, pois as flores exigem esse cuidado especial. Os agricultores, terminada a colheita, já começam a se preocupar com o tempo e o preparo da terra. Assim é a ASFECER, que exige da Diretoria e suas associadas, um trabalho constante. E flor mimosa que sem os cuidados necessários, arrisca-se a fenecer...

                Em agosto de 1964, um grupo de senhoras plantou uma semente pequenina, modesta, em nossa cidade. Todas se empenharam para que ela germinasse e crescesse; foi uma luta grande para cumprir o seu objetivo; atender aos doentes de câncer, com medicamentos, alimentação, conforto moral e espiritual. E houve um desabrochar quase instantâneo da semente, dando origem a ASFECER.

                Por muitos anos houve atendimento domiciliar, encaminhamentos para Juiz de Fora, com muito sacrifício, pois era pequena a receita, mas nunca nenhum dos doentes ficou sem buscar fora, até mesmo em Belo Horizonte, a ajuda médica necessária.

                Foi grande a luta, mas maior a alegria do dever cumprido. Nesse tempo foi fundada na Associação, a Cruzada de São Camilo de Lélis para facilitar o contato com os doentes e seus familiares, já que então não se podia mencionar a palavra câncer, já que não existia esperança nenhuma de cura. Era uma forma de facilitar a nossa aproximação com os assistidos e suas famílias sem traumatizá-los; São Camilo, protetor dos doentes, era como que nossa bandeira nesse contato inicial.

                Muitas presidentes passaram cada uma deixando a marca de seu trabalho; fui a primeira presidente e cuidei de todos os registros, estatuto, etc., tudo necessário para se consolidar existência legal da ASFECER; depois veio Dª. Dulce de Almeida Martins que organizou o 1º Bazar de Natal; vieram depois: Elvira Terezinha Fonseca Côstes, esposa do Dr. José Geraldo Marinho Côrtes, ambos já falecidos; Iza Alves Furtado, Irene Chaves, Dra. Eliane Barreto, Alicinha Mendonça Pereira, Deusnice de Oliveira Soares que trouxe a São João, por diversas vezes, o belíssimo balé de Juiz de fora, do qual seu irmão Fernando participava. Por fim, Maria das Graças Sporck Tozatto e atualmente Luzia Célia Amorim Vitói. Maria das Graças, a Gracinha, como a chamamos, ao assumir a direção da ASFECER começou a sonhar com a construção de um Ambulatório. Com a sua garra, juventude e entusiasmo pôs mãos à obra e juntamente com as associadas, que sempre deram tudo de si pela Entidade, e a nossa Comunidade sempre disponível e generosa, o sonho começou a se concretizar. Se alguma de nós se preocupava com a grandeza do projeto, ela nunca se intimidou.

                E assim foi iniciada a fundação. Lembro-me do dia da primeira laje, quando os homens voluntários que estavam ajudando, sentiram-se por demais cansados, o serviço esteve a ponto de parar. Gracinha foi para  a Praça com um carro de som e começou a solicitar ajuda e assim, sensibilizar e convocar àqueles que pudessem ajudar na virada da laje. Logo, muitos se prontificaram e aquele serviço ficou pronto para alegria geral. Que Deus abençoe a essa plêiade de homens que não deixaram que o sonho morresse.

                Costumo dizer que, como diz a Bíblia, “Os projetos do homem se concretizam quando estão no coração de Deus”. Com a ASFECER é assim. Nunca, em momento algum, se pensou em deixá-la extinguir-se, pois ela sempre esteve no pensamento de Deus.

                No tempo da Gracinha, foi como se houvesse uma explosão: a semente que brotara e dera planta útil e viçosa, transformou-se em frondosa árvore no morro, encontro dos bairros Caxangá, Centenário, Três Marias e Shangrilá.

                Verde, lá está ele, o Ambulatório Esperança, que hoje acolhe, não só ao canceroso pobre, mas a toda comunidade para a realização de exames que antes não eram feitos em São João.

As associadas foram cognominadas “Abelhinhas”, pelo seu trabalho grande, organizado e impulsionado pelo amor como uma grande colméia.  Luzia Célia Amorim Vitói, que dirigiu a ASFECER por 3 mandatos, com sua capacidade de competência e tenacidade expandiu ainda mais a ASFECER. Com mão firme e forte, como verdadeira Abelha Rainha, buscou recursos, organizou projetos e  muniu a ASFECER de um mamógrafo (projeto do Lions) e 2.500 mamografias (para filmes, técnicos, etc.) através do Projeto Avon. Na região não tínhamos mamógrafo a não ser em Juiz de Fora; agora o Serviço da Entidade atende não só a população de São João, mas também as cidades vizinhas. Foi intensificando o serviço preventivo, quando não havia ainda nenhum convênio, com todas as despesas custeadas somente com contribuições da comunidade e as promoções da Entidade (jantares, festas, etc.).

E assim, sob o olhar magnânimo de Deus, a ASFECER vem crescendo, socorrendo a população feminina, principalmente, não carente, mas toda a comunidade, atualmente com alguns convênios.

Luzia Célia, com seu modo simpático, amável, conseguiu contornar situações, primando pela organização e levando a bom termo os trabalhos da ASFECER. Luzia é querida por sua fidalguia e finura e segue orientando as “abelhinhas” que vêem nela uma verdadeira líder.

A Associação, como já disse, foi uma sementinha plantada por algumas senhoras, mas não sabíamos que se tratava de um grão de mostarda que a palavra de Deus diz que “transforma-se depois na maior das hortaliças onde os pássaros vêm construir seus ninhos”.

Na ASFECER aprende-se a “lidar com os espinhos e com a flor, com a alegria e com a dor”. Mas há, em qualquer situação um sentido maior para todo o trabalho, que é servir, ajudar a combater o câncer e assistir aos doentes. E nesse ideal maior, lembramo-nos das palavras de Madre Tereza de Calcutá: “Sabemos que o que fazemos é apenas uma gota d’água no oceano, mas se nada tivéssemos feito, esta gota d’água faltaria”.

Que as bênçãos de Deus não cessem, assim como o apoio incondicional da Comunidade, que por sua bondade, há de sempre ter muita paz, saúde e prosperidade.

 Lúcia L. H. Cavalheiro

 

 


 

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